quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Descuido da razão.


   Por um descuido da razão, eu fui alarmado, a caixinha blindada, aonde eu guardava minhas emoções foi laçada, infelizmente neste dia ela estava comigo, caiu ao chão com tanta violência espatifando em migalhas. Minha confiança era demais, e não percebi a tempo o laço abraçando meus sentimentos. O meu mundo estava naquela caixinha, tão pequena, mas imensa por dentro. Sentimentos de criança e adolescente estavam ali guardados. Joelhei em meio aos cacos, a dor em meus joelhos eram pouco pela angustia que senti. Como se os sentimentos encarnassem em mim novamente, fiquei atordoado em saber que foi tão difícil construir a caixa, em um dia ela virou um nada. Não sei o que senti? Confusão? Ansiedade? Não sei dizer! Ali mesmo prostrado ouvi passos em meio aos cacos. Vi o seu pé e levantei a cabeça. Imaginei que era você, laçou minha caixinha, tirando o meu chão, enganando minha razão. Voltei ao marco zero, como se eu tornasse um adolescente, cheio de inseguranças sentimentais.

   Não sei dizer exatamente o que estou sentindo? Minha mente está a ´´mil`` parece que estou vivendo um pesadelo, não consigo achar suporte para minhas perguntas. Tudo foi tão rápido, mas foi tão bom, sua semelhança com os meus sentimentos assustam-me, todas as vezes que converso contigo parece eu conversando comigo mesmo. Vontade de gritar esmurrando meu corpo, esfaqueando a minha alma, de tanto medo de tentar no momento errado. Entenda-me, por favor, mesmo que eu saiba de sua desilusão amorosa, não quero torna-me um carma em sua vida. Não quero fazer você vitima da paixão. Tenho feito você sorrir em cada encontro? Ou é um disfarce que não consigo mais interpretar? Perdi a minha sensibilidade, minhas razões fogem da minha presença. Não quero te assustar, estou indo devagar e você está indo mais devagar ainda, pelo menos eu sinto os seus mínimos passos sussurrando em meus ouvidos. 

   Quero que tudo isso acabe? Também não sei dizer, mas quero ter a certeza de que você também não quer que eu construa uma nova caixa. Que eu arranque meu coração de carne e substitua por um de lata. Confesso que gostaria muito de viver algo contigo, abrir mão de minhas aventuras. Preciso sair desta neblina, não sei se haverá um abismo me aguardando. Tire-me daqui! Me dê sua mão e deixa-me eu viver a felicidade contigo. Não prometo um final feliz, pois eu mesmo não acredito nele. Quer pintar nossa amizade? Ou Casar com os meus sentimentos? Posso deixar este fardo contigo?  Mesmo que ele seja leve, posso? Mesmo que consiga, quero ajudar carregá-lo. Você disse para mim que és complicado, vejo no espelho o seu rosto em mim, suas duvidas, insegurança, tudo reflete em minha própria semelhança. existe um pacto contigo que não sei decifrar, posso chamar o destino cruel ao tempo do próprio tempo um belo romance para se escrever. 

   Os dias passam, repassam e os cacos aos poucos eu vou juntando, minhas mãos sangram do arrependimento de ter deixado a caixa quebrar, mas o artista que mora em mim diz o contrario dos caprichos do destino. Meu impulso de fazer perguntas, me fazem meu ´´eu`` ir além do meu obvio, sai da minha orbita, mudo meu comportamento, converso com a solidão, busco disfarces, faço da minha dor uma melancolia expressada em canções. Vago pela terra da paixão, procurando alguém que possa instruir a desperta em outro algo que sinto na imensidão. Sem perceber eu cai em uma vala chamada desilusão, juntei rapidamente os cacos, a própria razão coube de derreter o vidro e refazer novamente a caixa. Arranquei violentamente os meus sentimentos que pensei que poderiam continuar, fui ao mais fundo do meu ser, com minhas próprias mãos dilacerei meu coração, coloquei dentro da caixa blindada, junto com as emoções que escaparam do meu controle. Fui a um penhasco que não via profundidade do mar. Lancei-a longe sem nenhum arrependimento. Nem se quer ouve uma lagrima em meus olhos, pois o amor que estava escondido em mim, agora adormece no fundo do mar.