sábado, 22 de outubro de 2011

Dois mundos e um amor


  Com a velocidade de um homem desesperado, corri em direção ao meu mundo. Ele estava rolando em direção ao precipício, a corda estava longe de alcançá-la, joguei o meu corpo em meio à poeira, meus pés se apoiaram na fenda da rocha, consegui pegar a corda a tempo, minha mão levou um baque, cortando minha palma, gritei com tanta agonia que minha voz ecoou na imensidão daquele precipício, mas continuei segurando meu mundo, não tinha noção de quanto tempo conseguiria segurar, mas não iria desistir. Com o vento forte e frio meu mundo balançava como pendulo. Enxerga pouco a altura da vala, mas dava para perceber que não via o que habitava lá em baixo, mas sentia a profundidade comparada ao vazio que sentia. Em meio aos fracassos dos meus sentimentos foi vindo em fleche em memórias, sentia como se o meu mundo não houvesse vida. Pensei em tantas possibilidades misturadas com frustrações, cansaço era o espelho das minhas tentativas mal sucedidas. Gemia de tanta dor que sentia na mão, uivava por tanta tristeza que acompanhava-me. 

  Gritei por socorro, mas em meio ao nada, ninguém jamais poderia responder, sabia que se não tivesse alguém para ajudar-me eu deixaria a corda escapar e o meu mundo iria para um abismo que não poderia resgatá-lo. Pensei em tantas possibilidades de quem poderia socorrer-me naquela aflição que vivia. A carência veio, sentou-me do meu lado, colocando as duas mãos no queixo, vendo os meus olhos lacrimejarem, fiquei mais aflito, pois ela não me estendeu a mão. Ela saiu da minha presença, deixando mais carência em minhas entranhas. Chegou à razão, sorri para ela com um tom sem graça, ela permaneceu em pé, colocando mais peso em meu mundo, a corda escorregou entre meus dedos, me fazendo segurar com mais força, a dor foi tal, que estava perdendo o controle das minhas pernas. Veio a paixão com uma tesoura, deu um ´´pique`` em minha corda, fazendo dela mais fraca ainda. Minha alma tinha tanta dor expressada em agonia, que comecei a chorar sangue. O meu mundo estava preste a cair e nada, nada podia fazer.  

  Juntei o sentimento de raiva, angustia dos três e coloquei toda culpa no amor, pois descobri que foi mandado dele que os três vieram a minha presença. Ordinário! Avassalador é a sua macula, dói como um ´´não`` de alguém que você se apega.  - Cadê você? Covarde! Foge da minha ira como o diabo foge da cruz! Não tenho nada contigo! Não preciso de suas migalhas! O momento em que eu tentei deixar você entrar em minha vida fez o meu mundo ser pendurado por uma corda. A corda que está enforcando minha vontade de viver algo novo sem você. Não aceita meu desprezo, minha insignificância por sua pessoa. Não tenho tempo para ressentimentos, confesso! Mas não posso deixar meu mundo cair. 

  Começou a chover, o vento foi aumentando e a chuva foi transformada em tempestade, raios, trovoada eram freqüentes. Chegou o medo, pisou com os seus pés em minhas costas, o peso era demais. A corda estava arrebentando, e o medo passou a mão em meu rosto, deu-me um beijo e desapareceu como a ventania bravejante que reinava naquele lugar. Tudo que já havia vivido já não havia esperança. Meus pés já não conseguiam mais segurar na fenda, minhas mãos já estavam calejadas de segurar a corda. E a dor que sentia em meu intimo era o ponto final para eu desistir. Larguei a corda, pois não agüentava mais, Desisto! Entrego-me ao abismo da solidão, da incompreensão das minhas razões. Deixo meu mundo se perder em meio à escuridão das minhas carências e o medo que encobre a minha fragilidade. Senti o alivio e a omissão do fracasso. Quando cheguei à beira do precipício o meu mundo não estava caindo, a corda estava esticada, ela girava em perfeita harmonia. Olhei para o alto vi uma mão, assustei, olhei para trás, ali estava quem eu mais desprezava. Levantei ensangüentado, sujo e molhado. O amor entregou o meu mundo em minhas mãos, desaparecendo deixando a calmaria do tempo. Percebi que estava segurando o mundo onde eu mesmo habitava. Tudo tinha um significado, uma complexidade que não podia decifrar. Cheguei a uma conclusão, com toda experiência que vivenciei que nada sou sem o amor.